A surra eleitoral que encolheu Trump e arrastou os republicanos
04/11/2026
(Foto: Reprodução) O presidente dos EUA, Donald Trump, tira o chapéu por um instante ao sair do espelho d'água do Lincoln Memorial, após sua reabertura depois de meses de reformas, em Washington, DC, EUA, em 2 de novembro de 2026
REUTERS/Umit Bektas TPX IMAGES OF THE DAY
O julgamento do eleitor americano equivaleu a uma surra no presidente Donald Trump, ao perder o Congresso unificado para os democratas, que redesenharam na noite de terça-feira o novo mapa político dos EUA.
O desmonte do domínio republicano na Câmara, no Senado e nos governos estaduais foi tão extenso que ficou inviável para ele e seus apoiadores recorrerem à contestação e às costumeiras levianas alegações de fraude eleitoral.
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MAPAS mostram resultados das eleições nos EUA em tempo real
Trump amargou a rejeição furiosa do eleitor e o fracasso de sua agenda errática e autoritária, esnobando as instituições que dividem o poder nos EUA. A derrota capacita os democratas com instrumentos para investigar o presidente e para frear as suas investidas imprudentes, traduzidas em tarifaço comercial, caçada desmedida a imigrantes e ataques a aliados e organizações internacionais e uma guerra interminável contra o Irã.
Juntamente com o presidente, desmoronou o Partido Republicano, que perdeu força em redutos conservadores sólidos como Texas, Kansas, Carolina do Sul e Iowa. Abandonado por seus eleitores moderados, a legenda ficou em minoria e à mercê dos radicais do MAGA.
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O lema “Faça a América [como os norte-americanos chamam os EUA] Grande Novamente”, tão alardeado na primeira fase deste mandato, encolheu de forma dramática, submerso no impacto do alto custo de vida para os americanos. "É uma carnificina total", resumiu o estrategista Tom Rath, ex-membro do Comitê Nacional Republicano em New Hampshire.
Nesse contexto, o resultado das urnas parece indicar mais uma rejeição ao trumpismo e aos republicanos do que apoio aos democratas, beneficiados por um governo desastroso.
Com o controle do Congresso a partir de janeiro, o partido opositor tem diante de si o desafio de superar suas diferenças ideológicas internas.
A eleição de representantes de uma nova geração de socialistas democráticos, que integram a ala mais progressista do partido, impõe o primeiro teste na disputa da Presidência da Câmara, que naturalmente seria reservada ao atual líder da minoria, Hakeem Jeffries.
Aos 80 anos, Trump sai enfraquecido e humilhado deste acerto de contas com os americanos, embora ele tenha tentado se esquivar da responsabilidade da derrota avassaladora, com a rasa desculpa de que seu nome não estava na cédula.
“Se eu estivesse [na cédula], teríamos vencido com folga.” Ele preferiu culpar os candidatos republicanos, por não terem conseguido mobilizar a base do movimento MAGA. “Eles não gostaram dos candidatos”, assegurou.
O comportamento volátil de Trump antevê tempos conturbados no papel de pato manco, designado aos mandatários que governam sem o apoio do Legislativo na última fase do mandato. Enquanto os votos ainda eram apurados, a Casa Branca postou uma imagem do fatídico boné vermelho de Trump com a palavra “Veto”. Parece indicar que ele estará mais para um pato furioso do que manco.